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O fim da música lenta?

Postado dia 5 de março de 2015 por Nathalia

Quando o DJ sugere aos noivos marcar a reunião para falar do repertório musical numa data próxima à da festa, isso tem uma explicação clara: ao longo dos meses, desde o início da contratação, surgem novas tendências musicais, alguns hits se tornam batidos enquanto outros emergem com força total. Algumas mudanças, no entanto, se dão gradualmente e a longo prazo. Uma que tenho notado nos últimos tempos diz respeito a um momento bem específico da festa de casamento: a primeira e a segunda danças. O que convencionamos chamar de “segunda dança” é o momento em que, de acordo com o protocolo das festas de casamento, os noivos devem dançar com os respectivos pais, após a dança do casal abrir a pista, que é a “primeira dança”. Embora essa primeira dança do casal ainda seja chamada de “valsa”, já faz tempo que ninguém mais dança a valsa propriamente dita. Acredito que nos últimos 10 anos eu tenha tocado apenas uma valsa: a noiva contou que não tinha tido festa de 15 anos e acalentava esse sonho de dançar uma valsa desde então. Mas, tirando exceções como essa, o que é mais comum é o casal escolher uma música lenta com a qual se sintam bem dançando.

Essa música não precisa ser tocada inteira, porque muitos não gostam de virar o centro das atenções dançando enquanto os convidados estão em volta. O que vem acontecendo é que muitos casais estão abrindo mão até mesmo desse momento. Nos últimos meses, venho percebendo uma tendência por trocar a música lenta por alguma agitada, mas de letra romântica. Alguns exemplos: no repertório internacional, Don’t Stop Me Now, do Queen, que tem uma breve introdução lenta, permitindo que o casal comece dançando junto, e que depois explode num ritmo animado; no repertório nacional, Água de Chuva no Mar, da Beth Carvalho, um samba empolgante de letra que celebra o amor.

Quais são as vantagens e desvantagens de se trocar a música lenta por uma animada como primeira dança? A vantagem é que você, automaticamente, chama os convidados pra pista com uma música pra cima, fazendo todos perceberem que a pista está aberta e é hora de dançar. Às vezes dá certo, em outras, pode não dar. Afinal, temos que levar em consideração que essa dança dos noivos acontece após cerca de uma hora de lounge, ou seja, nem todo mundo já está no clima de sair dançando; seja porque beberam pouco, seja porque estão com fome, seja porque querem cumprimentar os noivos e bater papo com os demais convidados. A outra desvantagem disso é que uma música animada de início afeta a segunda dança, aquela que em geral é a chance para os pais dançarem seu Frank Sinatra, sua Ella Fitzgerald etc. Não faz muito sentido sair de uma música muito animada para uma lenta para depois voltar a animar, portanto, os noivos que abrem mão da música lenta devem estar cientes disso. O argumento deles, nesse caso, é que seus pais são muito animados e querem agitar, ou que não tem tanto coroa na festa pra justificar uma segunda ou uma terceira música lenta. Da parte do DJ, o que ele pode — e deve — fazer é oferecer todas as possibilidades e ter sensibilidade para, dependendo de qual tenha sido a escolha, deixar todos satisfeitos com o som.