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Toda maneira de amor vale a pena

Postado dia 16 de outubro de 2015 por Nathalia

“Qualquer maneira de amor vale a pena, qualquer maneira de amor vale amar”. A letra da música “Paula e Bebeto”, composta por Milton Nascimento e Caetano Veloso e imortalizada na voz de Gal Costa, foi escrita em 1975, inspirada por um apaixonado casal adolescente que Milton conheceu numa roda de violão. Hoje, a música virou símbolo do direito à livre escolha amorosa. Cada vez mais, apesar das forças retrógadas que querem ver o Brasil dar um passo atrás, Paulas e Bebetos têm celebrado o amor entre iguais, mostrando que qualquer maneira de amor vale amar.

Isso vem se refletindo, também, no mercado de casamentos. Assim como outros colegas DJs, este ano, pela primeira vez, tive a oportunidade de discotecar em um casamento homoafetivo, segmento que vem crescendo a olhos vistos. Foi um dos casamentos mais animados e emocionantes que já fiz em duas décadas de carreira. Essa coluna é, portanto, ao mesmo tempo uma homenagem às duas noivas e uma maneira de ajudar os casais homoafetivos que estiverem planejando sua festa a escolher o melhor repertório musical.

Depois de anos e anos de um preconceito já arraigado em nossa sociedade, se você perguntar a qualquer pessoa que tipo de música deve tocar num casamento gay, certamente irá ouvir sugestões como “YMCA” e “Macho Man”, do Village People, “Finally”, tema do filme “Priscilla, A Rainha do Deserto”, “I Will Survive”, “It’s Raining Men” e outros clichês. É possível fugir dos estereótipos tocando repertório animado, que fale diretamente ao gosto dos noivos e convidados.

No caso das noivas para quem discotequei, elas solicitaram set musical que apelidamos de “Toda maneira de amor vale a pena”. Além de remix de “Paula e Bebeto”, elas amaram e a pista bombou com Cássia Eller (“Meu Mundo Ficaria Completo”), Legião Urbana (“Quase Sem Querer”), Cazuza (“Exagerado”), entre outras que todo mundo sabia cantar junto. Músicas brasileiras cujas letras as pessoas sabem de cor sempre ajudam a manter o astral da pista lá em cima. E, nesse caso, até mesmo uma música como “Fogo e Paixão”, do ultragalanteador hetero Wando, tem tudo para funcionar.

Outra curiosidade que muitos devem ter em relação a um casamento homoafetivo é o momento de jogar o buquê. Como se faz quando, ao invés de uma noiva, temos duas noivas? Ora, é simples: as mulheres solteiras terão duas chances de pegar o buquê, pois serão jogados dois buquês. E aí, é só o DJ dar play e soltar “Dancing Queen”, do Abba, que a pista volta a ferver e a celebração do amor em todas as suas formas estará garantida.

“Este ano, pela primeira vez, tive a oportunidade de discotecar em um casamento homoafetivo, segmento que vem crescendo a olhos vistos. Foi um dos casamentos mais animados e emocionantes que já fiz em duas décadas de carreira.”